Álvares de Azevedo: Adeus meus sonhos!, Meu sonho (poemas retirados do livro Lira dos vinte anos)




 ''Álvares de Azevedo viveu pouco (21 anos incompletos), mas é o nome mais importante do Ultra-romantismo brasileiro. Além de poesia escreveu também uma obra dramática, Macário, e um volume em prosa, Noite na taverna, em que alguns jovens contam histórias macabras de paixões, sexo, morte e violência num clima de sonho e delírio.
Um pouco antes de morrer, tinha preparado para publicação o livros Lira dos vinte anos, que, no entanto não chegou a ver impresso. Depois de sua morte muitos outros textos foram encontrados e reunidos a sua obra completa.
 As poesias de Álvares de Azevedo falam constantemente de tédio da vida, do sentimento da morte e da frustração amorosa. Em seus versos, a mulher ora aparece como um anjo, pura e virginal, ora como uma figura fatal, sensual e sedutora. Nos dois casos, porém, sempre inacessível, distante do poema, que vive mergulhado numa triste solidão.
 O fato dos textos falarem em noites em tavernas, de bordeis ou orgias sexuais não signicam que Álvares de Azevedo tenha vivido pessoalmente essas situações. Ao contrario, segundo o testemunho de comtemporaneos, o poeta era um rapaz muito estudioso e um leitor voraz, cujas noites eram passadas em meio a livros de poesia e as obras do curso de Direito, em São Paulo. O que o fazia sofrer, de fato, era a saudade da família que vivia no Rio de Janeiro.''


Adeus meus sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha mocidade!

Missérimo! Votei meus pobres dias
A sina doida de um amor sem fruto
E minh’alma na terra agora dorme
Corre um olhar que a morte envolve em luto

Que me resta, meu Deus?!... morra comigo
A estrela de meus cândidos amores
Já que não levo no meu peito morto
Um punhal se quer de murchas flores!


Meu sonho


Cavaleiro das armas escuras,

Onde vais pelas trevas impuras

Com a espada sanguenta na mão?

Por que brilham teus olhos ardentes

E gemidos nos lábios frementes

Vertem fogo do teu coração?


Cavaleiro, quem és? — O remorso?

Do corcel te debruças no dorso...

E galopas do vale através...

Oh! da estrada acordando as poeiras

Não escutas gritar as caveiras

E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,

Cavaleiro das armas escuras,

Macilento qual morto na tumba?...

Tu escutas... Na longa montanha

Um tropel teu galope acompanha?

E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? que mistério...

Quem te força da morte no império

Pela noite assombrada a vagar?

O FANTASMA

Sou o sonho de tua esperança,

Tua febre que nunca descansa,

O delírio que te há de matar!...



2 Comentários:

† ┼ ҜΔŘØŁΞŇΞ ΔŇǤ€Ł ┼ † disse...

Olá .. . tem um desafio pra vc lá no meu blog !!

♰ Corvo ♰ disse...

Saudações Minha Cara

O Blog Está De Parabéns,Cada Vez Melhor,Com Muito Mais Conteúdo e De Qualidade.
Alvares De Azevedo,Meu Poeta De Cabeceira,Pra Mim Melhor Poeta Literato Brasileiro.

Andas Sumida Marina,Nunca Mais Te Vi No Orkut E Nem No Msn.

Bjs Lúgubres

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