Augusto dos Anjos: O morcego (poema)

O MORCEGO (Augusto dos Anjos)

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

2 Comentários:

Gabriela Domingues disse...

Que poema interessante, gostei :D

Curte rock???Venha conheçer >>> Pancake'a and Rock

Anônimo disse...

¤Sosinha¤

Ouvi sua voz chamar
seu rosto da neblina surgiu
seu canto triste e quebrado
lembrança que minha alma partiu

sera que era voce
ou foi apenas mais uma ilusão?
Sera que era ela?
A minha querida escuridão?

Seja la quem fora
sei apenas que minh'alma atordoou
e agora estou aqui sozinha
do jeito que voce me deixou.
~lady bia~

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