Madame: A casa underground

 Em 20 de outubro de 1983, abriu na Conselheiro Ramalho, no centro paulistano, um muquifo que viraria lenda. Ocupando um casarão dos anos 1930 já então bem sambado, o Madame Satã não tinha sofá, ar-condicionado nem alvará. O som era tosco, e a pista, um socavão escuro e cheio de baratas.
Mas não havia lugar melhor para ter 20 anos e viver o surto anárquico e criativo que começou a espantar o ranço da ditadura no meio dos 1980.
A graça era o som pós-punk e new wave do porão e a programação frenética de música, arte e performances ao vivo, que ia de RPM e Legião Urbana a Itamar Assumpção e Cida Moreira, passando por sessões de filmes do Primo Carbonari exibidos de trás para frente e pela famosa "mulher do repolho", uma amalucada que o ex-seminarista Wilson José, mentor do clube, trancava numa jaula e alimentava com o legume, à guisa de espetáculo.
A casa fechou em 1989 deixando saudade... Reabrindo em 2012.

(Foto: Adriano Conter)

 Nesta nova fase, o clube se livra do “Satã” e fica apenas com Madame. O título original foi registrado por José Maurício Penteado, antigo dono da casa.
 E as mudanças não param por aí. Datado de 1936, o antigo casarão também sofreu alterações. Foi preciso refazer o telhado, trocar a fiação e reformar toda a estrutura do imóvel, que é tombado. Além disso, as noites não serão mais tão quentes no Madame. Quatro aparelhos de ar-condicionado foram instalados pela primeira vez no local. Os sócios ainda não fecharam as contas, mas estipulam que os gastos já chegam à casa dos 800 mil reais.
O espírito underground do Madame, entretanto, deve permanecer o mesmo. As performances de drag queens e as peças de teatro farão parte da programação, como antes. .
Saudosos relembram que outro ponto forte da casa era a coexistência, sem muitos problemas, de diversas tribos. “O Satã era diferente de todos os lugares que eu já tinha ido, mesmo fora do país”, relata Eneas Neto, que foi DJ do clube e hoje é organizador da festa Trash 80’s.
“Você era livre para ser o que quisesse e vestir o que fosse”, recorda o cabeleireiro e maquiador Marcelo Vilela, que começou a frequentar o local em 1985, aos 15 anos. Aos 42, ele segue a profissão que começou a exercer de brincadeira nas chamadas “Noites do Penteado”, quando uma cadeira de cabeleireiro era colocada no andar superior do casarão e o pessoal aproveitava para incrementar o look.
Outro que escolheu a profissão no Madame foi Mauricio Bischain, o DJ Mau Mau. Antes dançarino de street dance, ele tocou pela primeira vez na pista da balada, em dezembro de 1986. “Talvez eu nem fosse DJ se não fosse o Madame”, diz Mau Mau.
Cada noite no novo Madame será dedicada a um estilo que marcou a história do local, com as novidades da cena musical. Às quintas, figura o rock alternativo, com residência dos DJs Rafael Perrotta e Kid Vinil no projeto Skull. Nesta noite, também rolam shows de rock no palco do porão, por onde já passaram variados nomes da música nacional, de Ratos de Porão a Elza Soares. Com 30 anos de carreira, a banda punk paulistana Inocentes volta em abril à casa, onde estreou o álbum “Pânico SP”, em 1984.
Às sextas, o gótico toma conta da pista na festa Bats & Robots. Aos sábados, Gé Rodrigues e Magal comandam a 80s, noite dedicada aos hits dos anos 80 e onde só é permitido discotecar com discos de vinil. Nos domingos, ocorre a matinê Vintage Party, dedicada ao rockabilly, embalada pelos residentes Ivan Rocker e Eric Von Zíper.
Aberto também durante a tarde, o novo Madame ostenta o título de centro cultural, com exposições e cursos de DJ, dança e teatro, que serão coordenados pela diretora cultural Paula Micchi.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/
http://vejasp.abril.com.br/

1 Comentário:

Priscila Marinho disse...

nossa, adoreii!

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